"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

Política. Música. Música. Vida. Rock. Cinema. Cultura.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Não merecem o dinheiro do meu ingresso!

Em dois anos (incompletos!) cursando jornalismo, consegui falar com alguns dos músicos e artistas que passaram por Bauru. Na verdade o jornalismo é usado como pretexto deslavado para conhecer as bandas e trocar idéias, experiências.

Em termos musicais, a gente descobre que uma coisa é a música da banda. E outra completamente diferente é o músico em si. Por exemplo, o som capixaba do Dead Fish não me agrada tanto, apesar das letras boas, músicas sonoras etc, já foram melhores. Entretanto o som parece que não muda. Coisa do hard-core, penso. Mas, os caras são legais, gente finíssimas, não são cretinos que não se importam, pelo contrário, conversam sobre várias coisas e disseram (quase) tudo a respeito de gravadoras como a Sony. O Rodrigo, vocalista do Dead Fish mandou: “eu não sei quem tem a coragem de assinar isso (o contrato), vc não tem participação em nada”. Claro, ninguém é Papai Noel. O bem-humorado Roger do Ultraje me contou algumas coisas sobre gravadoras: que elas investem grana em vc (na banda) e querem algo em troca, como por exemplo, o máximo de participação (diga-se o máximo de lucro), um cd por ano, coisas do tipo. É por isso que o som dos grupos vai ficando cada vez mais pobre. Já pararam pra pensar que algumas bandas, lançam um cd por ano?

Na contramão disso vêm algumas bandas (pelo menos no momento presente) como o Teatro Mágico e AUTORAMAS, digo, porque as conheci de perto. Há um tempinho atrás, o Teatro esteve aqui em Bauru. E claro, usei da desculpa esfarrapada da entrevista (não que eu não goste, longe disso...) para conhecer a trupe. E os músicos-artistas (há diferença? Sim há!) são coerentes com o que fazem. A fama não os estragou, sobretudo o idealizador do projeto, Fernando Anitelli, que após uma breve pergunta, dispara falar sobre a questão e sobre o mundo. O Fernando é realmente uma pessoa de idéias legais e construtivas. Como ele mesmo diz, ele mesmo é raro: “Só existe um de nós no mundo. Logo, já estamos em extinção.” Esse é um grupo que vale a pena conferir. CDs a 5 reais e DVDs a 10. Já viu isso antes? Nem eu. O Autoramas, no meio independente, total. No ano passado veio o reconhecimento: 3 prêmios no VMB pelo vídeo-clipe: “Você Sabe”. O diferencial deles? Descem do palco após as apresentações, conversam com TODO MUNDO (assim como O Teatro Mágico) e ainda vão pro bar com a gente trocar mais idéias. Por que né? Jornalista que não freqüenta boteco, bar, coisas do tipo ...

E tem gente aí com gracinha de não nos dar 5 minutos que seja. Estes, não merecem o dinheiro do meu ingresso.

7 comentários:

m. disse...

hum, isso me lembra algo como zeca baleiro!?

nem fala dessa palhaçada.
mas pelo menos a gte tem esses q nos salvam. o autoramas inteiro foi ótimo comigo, os 3, lindos, super atenciosos. minha reportagem de tv ficou ótima!

beijo, querido!
;***

Ligia disse...

Nem me fale...tem gente que diz que não terá tempo para conceder entrevistas e tem pachorra de aparecer na universidade em que vc estuda para dar entrevista na rádio...né Sr.Zeca Baleiro??? Perdeu a moral...

Gabriel Ruiz disse...

é eu acho que não preciso dizer mais nada.

_Maga disse...

Muito bacana o texto...

Teatro Mágico não ouvi ainda (mas ouvi falar tanto que mal posso esperar pra passar as musicas deles pra um cd já que estou com algumas no meu computador que está com as caixinhas pifadissimas rs) e Autoramas esteve em Londrina essa semana... estive inclinada a ir mas estava muito envolvida com o FILO (Festival Internacional de Londrina www.filo.art.br ) e acabou não rolando...

Fiquei curiosa agora...

Isso que você falou é muito certo... eu acho que não custa nada conversar um pouco com as pessoas, ser simpatico no palco, dar entrevistas sinceras... tá nao digo que precisem estar todos os dias dispostos a ficar horas conversando, mas pelo menos serem simpaticos qdo abordados enfim... acho que isso é o minimo. Isso não é nem estrelado, isso é habilidades sociais mesmo.

E quem não quer conversar com caras que falam de nós? Que falam do mundo de uma forma como nunca pensamos, ou da forma como sempre pensamos mas nunca conseguimos exprimir? Ou ainda falam do assunto mais batido do mundo mas de uma forma que nos fazem acordar da inercia e perceber que vida está ai?! Eu gostaria... As vezes me imagino conversando com alguns desses caras... acho que pelo dialogo podemos começar algumas pequenas mudanças...

Fico triste com essa historia de ter que lançar cds comerciais todos os anos. Ai acontece que tem banda lançando cd todo ano acabam não conseguindo manter a qualidade, ou fazem poucas musicas que valema a pena, mas mesmo assim sao eles que tocam all day long no rádio, até os limites da nossa paciencia, enquanto outras bandas bacanas ficam de fora da programação, porque as radios preferem baixar a cabeça pras gravadoras e repitir a mesma música o dia todo à tocar duas vezes ao dia uma banda nova... enfim...

beijos pra ti

Silvia disse...

falou a promessa do jornalismo cultural!!! aeeee

Gabriel Ruiz disse...

O comentário da Maga completa enormemente o texto. Bela contribuição.

Vanessa Russell disse...

infelizmente nem todo mundo tem paladar fino e sentidos apurados, e baboseiras comerciais alimentadas por jabás sobrevivem, enquanto essas bandas, que valem realmente a pena, padecem sem espaço e sem voz... se não fosse o Sesc (que em atitudes louváveis) abre espaço para essas pequenas bandas... não tomaríamos conhecimentos da existência delas, possivelmente....
Vale lembrar que é um risco a fama para essas bandas alternativas, que podem cair no erro comum do capitalismo.... produzir para vender!!

Beijos!