"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

Política. Música. Música. Vida. Rock. Cinema. Cultura.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Obaaa! Lá vem ela!

Vc não precisa ir atrás dela, ela bate a porta da sua casa. Está nas esquinas, semáforos, nos ônibus vendendo balas ou doces. Está ali na calçada, por onde vc passa todos os dias e nem a vê ou vê e talvez nada possa fazer como esse burguês que vos fala. Está nas avenidas carregando recicláveis, nas padarias esperando o troco e nos eventos cuidando do seu carro.

Às vezes tem umas doidas que de tamanho desespero doam a blusa do corpo, dão o rango do jantar, aconteceu algo parecido com a Jubão (esta que também estará em breve conosco em Heterônimos Aleatórios).

E vc passa e nem a percebe. E nem eu. E chega em casa para jantar ou almoçar e ela aparece no noticiário da tv, ou estampada na primeira página do jornal morrendo de frio ou de fome. Há vezes que encontramo-na a beira do lixo, parecendo um bicho. O Manuel Bandeira acho que teve a mesma impressão:


Vi ontem um bicho
na imundície do pátio
catando comida entre os detritos.

Quando encontrava alguma coisa,
não examinava, nem cheirava,
engolia com voracidade.

O bicho no era um cão,
não era um gato,
não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



E vc passa no viaduto e ela permanece lá embaixo, encolhida, lotando os albergues, aguardando os sopões coletivos. Na frente do Mc Donalds lá está ela, firme, na luta. São 14 milhões aproximadamente só no Brasil e não notamos nada. Até notamos, mas não interrompemos a nossa vidinha de merda pra fazer alguma coisa.

10 comentários:

Vanessa Russell disse...

Yes!!!
É isso... lá está ela, sempre! em todos os lugares, em todos os momentos, na sua visibilidade detestável que de tanto que é visível, é quase invisível, imperceptível.
Mas, ninguém a quer, nunca... é melhor mesmo que continue lá, tal como está, porque eu lutei, trabalhei para conseguir o que hoje eu tenho. Por que não lutam também?
Pouco me importa ela ou os 14 milhões! Quero ver como o mineiro vai se apresentar na Seleção Brasileira! Será que ele é melhor que o Edimilson. Em que tv será que é melhor assistir os jogos? Acho que a de plasma!
A desculpa nunca falha, sempre tem uma nova, sempre há algo mais interessante com que se preocupar!!!!!
GOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLL!!!!!
CARALHO!!!!!!!!!!
Olhemos por favor, para ela que nos dilacera, que nos mata aos poucos também!!!

ah.. desculpe o tamanho disso, mas é que tinha que manifestar minha revolta!!!

_Maga disse...

Crianças Invisiveis. É o nome de um documentário falando sobre as crianças nas grandes cidades do mundo... logico tem os catadores de papel de São Paulo...

É triste. É real. E é invisivel.

E eu... o que faço com esses números?

um beijo (amargo*) pra ti

* depois de ler o texto foi o melhor que eu pude dar...

ggabrielruiz disse...

Resposta a Vanessa:

Não importa o tamanho disso, importa o conteudo do que vc disse. E vc disse MUITO. Ainda bem que existem pessoas sóbrias. Brigado Vanessão.

Marco Aurélio disse...

A primeira vez que me choquei com estas cenas era criança e estava lanchando numa lanchonete chamada Acaiaca com a dona bo Blog
(http://meumirante.blogspot.com/)
Peça para lea te contar.

Um abraço

Marco Aurélio

Marco Aurélio disse...

Gabriel

Escrevi ela errado ai em cima.
Já ia me esquecendo ela também adora o Manuel Bandeira.

Babi disse...

Só uma coisa a dizer: "De Porto Alegre ao Acre a pobreza só muda o sotaque". (Pedro Luis)

Rodrigo Saturnino disse...

ae.. ce podia colocar la no jornal textos do seu blog!!! acho massa. abracos amigo. Inté

Pati Barbie disse...

Eu não queria ver tamanha pobreza, mas eu vejo... fechar os olhos, fingir por segundos que isso tudo é mera coisa da minha cabeça. Tão bom estar de fora da miséria e contemplar com olhos de tristeza tamanha decepção, depois, enfiar-se em baixo das cobertas quentes e sonhar!

Olívio disse...

Eu vejo, mas a única coisa que posso fazer é me matar. Seria um hipócrita medíocre a menos no mundo.

Maiara disse...

Gabriel,
moro em São Paulo-capital. E você?
Vamos conversar por e-mail, acho mais fácil, pode ser? O meu é maiaragouveia@gmail.com
Abraços