"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

Política. Música. Música. Vida. Rock. Cinema. Cultura.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Um toque vital nesta vida banal

E também estudar pra quê? Se eu levar uma bala perdida na cara, teria sido melhor ficar com meus amigos conversando e rindo a noite toda à deitar-me na mesma cama de todos os dias...
Trabalhar para?? Pra comprar aquele carro novo da propaganda e uma casa com suítes pra morar. Ter uma mesa de café da manhã saudável, porque é isso que diz a capa da revista desta semana. Ter grana para ir jantar refinado e botar gasolina no carro. Viajar pra ver os familiares e pagar as contas de plano de saúde, porque vc fumou e bebeu a vida toda e ainda adora comer churrascos de final de semana. Não sabe que o médico proibiu, mas também faz o mesmo?

Depois, ainda tem as fraldas e a escola particular, além dos remédios que a avó precisa tomar e vc foi escalado para comprá-los porque é o menos “quebrado” da família.
Eis o nosso resumo vital. Se não fossem as pessoas humanas, raras e únicas que conhecemos; as intervenções de arte diversas (como a peça infantil que fui ver recentemente Luna Parke – onde me diverti mais do que muitas crianças lá presentes); manifestações infundadas e infames (quero a arte das galerias pras ruas, quero-a na boca do povo, quero a arte da favela, quero ouvir e gritar arte!). Experiências nas relações humanas, sejam elas de que espécie for... não valeria a pena.

Depois vou almoçar, migrar de bus pra faculdade. Segue a vida segue. Igual, mas com uma pitada de querer deixar um legado, ao menos, na lembrança eterna das pessoas. Aquelas que te deram um abraço e encostaram o corpo todo sem malícias, só pra sentir pulsar as “coisas” que passam pela vida. Nada mais...

11 comentários:

Bel disse...

Adorei.

gabriela disse...

Bom... na minha opinião, o mais importante não é deixar um legado, e sim, um pouco de si nas pessoas para quem você é importante. E muito de si nas pessoas que~pensam que não se importam com você. Mesmo que, para isso, tenha-se uma vida normal e aconchegante... por mais que sigamos ou não as recomendações médicas. Essa sua postagem me fez pensar. Ainda estou aqui refletindo... (isso é bom)

Sobre seu comentário, a resposta pra mim é - é impossível ter tesão ao jornalismo o tempo todo. Acho que o que rola é a ansiedade do momento, a adrenalina de estar cobrindo algo importante, de deixar sua contribuição na história do planeta... Ou mesmo pela falta de rotina, pelo nosso privilégio de poder adquirir conhecimento ao escrever uma reportagem, de falar sobre todo e qualquer assunto. E isso não é, necessariamente, apaixonante... penso que apenas nos torna privilegiados, diferentes.

Beijo!
posso te linkar?

Carol F. disse...

Que bonito Gabriel! Isso que você falou das pessoas únicas e da arte é uma grande verdade, sabe aquela sensação de "Nossa! Eu viveria tudo que já vivi de novo só para chegar a conhecer tal pessoa ou ver tal coisa"? E se ainda pudermos ajudar o outro para o presente ou para o futuro (tem trabalho que demora para dar resultados), repito "Eu viveria tudo de novo!". Obrigada pelo texto! Beijosssss

_Maga disse...

Gostei do texto. A vida não tem um sentido pronto, o sentido da vida está no que fazemos nela. E se vivemos bem todos os dias (e estudar e trabalhar podem ser coisas bacanas, mesmo que as vezes um pouco chatas) não importa se vamos morrer amanha ou daqui a 3 minutos. O importante é viver bem o agora.
Lembrei de um frase do Paulo Mendes Campos: "O mais importante na vida é não ter morrido. Amo a vida, mesmo quando a odeio. Se tivesse sido consultado, não teria desejado vir ao mundo, mas, já que aqui estou, vou demorar-me tanto quanto possível. Viver é nascer lentamente. O homem procura a sua densidade, e não a sua felicidade. A consciência é uma doença. Ter um corpo é uma grande ameaça ao espírito."
(adoro essa frase rs)
Beijos

ps.: um corpo sem alma é como um vinil que não toca? estou preocupada... não tenho alma... nem mente... é grave? rs
ps2.: "chamem o médico urgente!" O médico chama-se Urgente"???

silvia disse...

"Segue a vida segue. Igual, mas com uma pitada de querer deixar um legado, ao menos, na lembrança eterna das pessoas. Aquelas que te deram um abraço e encostaram o corpo todo sem malícias, só pra sentir pulsar as “coisas” que passam pela vida. Nada mais..."

Muito perfeito... há tempos não explorava assim essa sua sensibilidade que é tão linda e inspiradora... nos presenteie mais vezes com esses pensamentos, pois o amor é contagioso e o mundo precisa de uma epidemia urgente! Chame o médico!!
bjs, lindo!

SAMANTHA ABREU disse...

isso é tão...
pensável.. instável.. mutável...

Parabéns pelo texto!

beijo

m. disse...

eu tenho neurose com deixar um legado, construir memórias e todas essas coisas. quero ter do q me lembrar qdo estiver pra ir embora daqui.

mas ao mesmo tempo, tudo parece tão vazio...

bjso meu amor
saudades

p.s.: claro q faço... do q vc queria o desenho? depende, tem uns fodas de fazer e eu sou uma leiga!

livia disse...

Texto para pensar.É ...a Vida tá uma loucura.Deixar legado deve ser nas açoes de conduta,compartilha os desejos de uma Vida melhor para a maioria(o que temos é uma minoria abstada e confinada no seu mundinho)mas...a vida pega a gente pelo rabo.E todos sofrem as consequencias estúpidas no que transformamos a vida.Afinal,isto é coisa construída. Viver é trabalho(seja qual for)mas devria ser com prazer e nao desgosto,obrigaçao,medos,raivas,(nessa porcaria de vida que envenena e mata lenta ou rapidamente)Mudar...deve ser a grande batalha da vida(atraves das civilizaçoes)Estamos(os humanos)bem caidos,maus...das pernas,dos abraços e da alma.merda mesmo,amigo.Vida simples(mudar a cebeça para que nao nos mudem ou matem mais ainda,queremos?sabemos?Estamos viciados na mediocridade da vida que fizemos e vivemos.E aí...Damos de cara com o terror que inventamos.Qeremo macdonalds que nos mata de gordura(depois vamos ao medico tomar remedio pra isso e aquilo;fazemos academia e tal;acumulamos dinheiro e ficamos ansiosos :medo das traças ou dos ladroes;na vaidade quermos a roupa da moda;andamos de carro para ir a esquina(ainda mais se o carro for importado,queremos exibi-lo. Nao cumprimentamos o porteiro do predio(deseducados)e queremos educaçao dos outros;nao educamos legal os filhos e queremos ser amdos poe eles(amor ,nao é comprar afeto com prsentes..sei lá,caraEstá tudo errado!Recomeçar ?refazer a cabeça?queremos abrir mao das nossas mediocridades?E viva a vida que inventamos e que virou esta M.desculpe o desbafo.Ha muito blablá hipocrita.E vamos ladeira abaixo!Chega,né!

Lira Turrer disse...

Li recentemente uma frase do Nietzsche (faço aquele tipo de pseudo intelectual pós-moderna, que não lê os clássicos, mas que tem sempre uma frase decorada ou escrita em algum papelzinho para mostrar o quanto sou inteligente)que dizia assim: "Quem tem 'porque' viver é capaz de suportar qualquer 'como'." Acho que estamos muito ligados aos "comos" e nos esquecendo dos "porques", não é mesmo?
Lindo texto. Já quis me livrar deste tipo de angústia sobre o sentido da vida e tentar entrar no mundo adulto. Mas desisti ao perceber que ela permanece e resiste, ao contrário de outras rebeldias puramente adolescentes.
Um beijo.

P.S. ODEIO pessoas que abraçam sem encostar.

Gabriel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel disse...
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