"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Maior liberdade ou maior repressão?

Esta foto veio daqui.


A gente cresce e eles não mudam. Provavelmente nem vão mudar. Incoerentes que são, não podem dar o mal exemplo, ainda que tenham sido, há longa data, o mal exemplo. Alguns nem ousam tocar no assunto. Aí é o engano maior. Porque o filho sabe, descobre. E o mundo nem é tão complicado assim. Ou será que mudou tanto? Desacredito. O Jorge Mautner, em parceria com Gil explica, na letra da música "Os Pais":


Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!

Por isso não podem fugir do problema
Maior liberdade ou maior repressão

Dilema central dessa tal de civilização
Aqui no Brasil sob o sol de Ipanema
Na tela do cinema transcendental
Mantem-se a moral por um fio
Um fio dental!

Bom né? Quarta passada troquei 2 horas de aula da língua dominante pelo show do disco novo de Mautner, o "Revirão". Foi fódão. Primeiro contato com violino, já que os shows-rockeiros costumam não ter o instrumento. Tinha cadeiras, mas na frente estavam lotadas. Desencanei e sentei-me no chão mesmo, bem de frente com o artista e seu comparsa: o Nelson Jacobina, guitarrista não menos fodão. Ver de longe não ia rolar.

O tropicalista:

Jorge Mautner, 66, é de tudo um pouco na área das artes: escritor, músico, compositor, cineasta, e, sobretudo, um contador de estórias e causos. Até por isso, pela época em que viveu e as coisas que construiu, carrega em sua biografia situações interessantíssimas. Uma delas, já faz tempo. Passou-se no colégio Dante Alighieri em São Paulo. O pré-adolescente Mautner foi expulso da escola. Foi considerado um “pervertido”, quando escreveu um texto classificado pelos professores como “tarado”. Mas o mundo dá voltas e hoje no colégio há uma homenagem ao artista: uma sala toda dedicada a ele. E nessas voltas que o mundo dá, Jorge foi parar no EUA, como exilado político, em 1966, ano em que teve seu nome incluído na Lei de Segurança Nacional (LSN). Nas terras do Tio Sam se virou como pôde, traduzindo livros e dando palestras pra gringo ver. Ganhou notoriedade por lá e nas Américas. Já no ano seguinte parte para a Venezuela a fim de participar de um Seminário Internacional em Caracas.

Na terça deve sair no Binóculo todo o material com a entrevista.

5 comentários:

SAMANTHA ABREU disse...

o cara é um gênio.
a biografia dele é fascinante, é linda... e ele, invejável!

beijos!

SAMANTHA ABREU disse...

ah!
quanto ao blog da Jú, o "Azar o seu, querida"... é mesmo fantástico. Um dos pouco que criticam a cultura (música, cinema, livros) com sagacidade, bom humor e bom gosto!

e obrigada pelos elogios!

beijos.

ju disse...

eu vim aqui agradecer a visita.
vou passear por aqui também.
;)

GABRIEL RUIZ disse...

Ju e Samantha,

sou eu quem agradece pelos respectivos conteúdos dos blogues de vcs.
obrigado.

Giul Martins disse...

sabe que tem uma banda de fusion mahavishnu orchestra - não tenho certeza se é assim que se escreve - que utilizavam um violino doido em suas composições...