"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

Política. Música. Música. Vida. Rock. Cinema. Cultura.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A Telefônica também te fode a vida ?

"O mouser é a extensão do braço"


Agora eu sou ainda mais high tech. Entro e sumo no meu mundinho rock ´n roll, quando ligo meu super mega foda MP3 player; faço vídeos e músicas e me torno um verdadeiro Big Brother, mó sucesso!

Que maravilha, é o progresso, a tecnologia ao alcance das mãos, porque, como já dizia o velho Racha Cuca: "o mouser é a extensão do braço".

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"A galera tá furiosa"


Com microfone e tudo, o high tech da vez é o Skype. Funciona que é uma beleza. Pra quem desconhece: vc faz ligações do computador como se estivesse falando ao telefone, é incrível. Com isso, vc pode reduzir seus interurbanos etc!

A Justiça proibiu a Telefônica de obrigar seus clientes a pagar por um provedor de acesso (aquela venda casada, com o Terra, por exemplo). A Telefônica está ainda mais fodida. (se vc é usuário speedy, não deixe de se informar).

Além disso, tem o ABUSAR (esse site é realmente muito bom, pena que a navegação não ajuda, mas a causa é boa) . Um verdadeiro complô contra a empresa. Lá há muita coisa que não sabemos e que podemos fazer contra a Telefônica e amenizar aquela sensação de impotência diante das arbitraridades da empresa.

Pra quem se interessou desobri este blogue também, o anti telefônica. A galera tá furiosa.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Os bastidores da CPMF, você conhece?

Já são 11 anos de vida de uma contribuição que nasceu para ser temporária; santa tartaruga, Batman! Santa tartaruga! Engoliremos mais essa?

Engoliremos mais essa? Na verdade nem temos muito o que fazer. Foi nos anos 90, no governo FHC, que houve a criação da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos).
A CPMF é uma cobrança que incide sobre todas as movimentações bancárias, exceto negociação de ações na Bolsa, saques de aposentadorias, seguro-desemprego, salários e tra
nsferências entre contas-correntes de mesma titularidade. Leia aqui quem votou a favor em 96.

Genial
Éfe Aga teve o estalo da lâmpada. Ao criar o termo “contribuição”, o governo não precisaria mais compartilhar o bolo com estados e municípios – característica obrigatória de um imposto (tudo que tem na sigla um “I”, por exemplo, precisa contemplar estados e cidades). Assim, disporia de muito dinheirinho do povo, sem precisar repartir com ninguém.
No segundo governo Éfe aga, o Partido dos Trabalhadores fazia forte oposição, era totalmente contrário e votou em massa para que a contribuiç
ão
“temporária” não fosse aprovada. Ainda assim a boa idéia passou e hoje está aí mordendo centavos dos nos
sos porquinhos: são necessários sete dias de trabalho ao ano para pagá-la.


Da oposição à situação
Bem, vários anos depois, o discurso mudou. Agora foi vez de outro partido fazer oposição ao tema, ainda que moderada: defende a redução do imposto ao invés da sua erradicação. Espertinhos que são, caso figurem como “situação” num futuro próximo, ainda terão do bolo para comer. E o PT que em 99 (quando discutia-se a prorrogação da contribuição e o aumento da alíquota de 0,2 para 0,38 %) apresentou zero votos a favor, hoje faz política para que ela mantenha-se. E
é por essas e outras mais que o partido provou ser um vazio ideológico, governando de acordo com seus interesses e não posições. "Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido", discursou Lula no 3º Congresso do PT, segundo a Folha de S. Paulo noutro dia. E o pior é que o presidente está certo.

Lá no Congresso, o PT planejou liberar dinheiro para emendas de deputados e senadores, o que permitirá a construção de obras, construções etc. Mas a verba para tais emendas serviu como moeda de troca para que a continuidade da CPMF fosse garantida. Deu certo. A mesma Folha não me deixa mentir:

“Os 338 deputados federais que votaram a favor da prorrogação da cobrança da CPMF até 2011, na última quarta-feira, tiveram suas emendas ao Orçamento atendidas pelo governo federal em valores que, na média, superaram em 52% o que foi destinado aos 117 deputados que foram contra”.

Os favoráveis à sua prorrogação tiveram atendimento médio a suas emendas no valor de R$ 221 mil. Aos contrários à medida, destinou-se, em média, R$ 145 mil. Coincidência?

Não sejamos tolos
Rodou por aí sites que gostariam que a CPMF fosse extinta. Até eu assinei a vasta lista. Mas era uma ilusão. Não ia-se abrir mão de tanta verba; verba esta que já estava nas contas do governo e que iria fazer muita falta. Se a contribuição se fosse, outro imposto viria, não nos enganemos. Entretanto, manter a CMPF era a regra. A criação de outro imposto não estava nos planos, porque imposto “novo” no país que mais onera seus cidadãos, receberia vais e mais vais. Então, pra que mudar, se tá bom assim?

Veja a calculadora da CPMF.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Maior liberdade ou maior repressão?

Esta foto veio daqui.


A gente cresce e eles não mudam. Provavelmente nem vão mudar. Incoerentes que são, não podem dar o mal exemplo, ainda que tenham sido, há longa data, o mal exemplo. Alguns nem ousam tocar no assunto. Aí é o engano maior. Porque o filho sabe, descobre. E o mundo nem é tão complicado assim. Ou será que mudou tanto? Desacredito. O Jorge Mautner, em parceria com Gil explica, na letra da música "Os Pais":


Os pais os pais
Estão preocupados demais
Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais!
Ou então na mão dos molestadores sexuais
E no entanto ao mesmo tempo são a favor das liberdades atuais!

Por isso não podem fugir do problema
Maior liberdade ou maior repressão

Dilema central dessa tal de civilização
Aqui no Brasil sob o sol de Ipanema
Na tela do cinema transcendental
Mantem-se a moral por um fio
Um fio dental!

Bom né? Quarta passada troquei 2 horas de aula da língua dominante pelo show do disco novo de Mautner, o "Revirão". Foi fódão. Primeiro contato com violino, já que os shows-rockeiros costumam não ter o instrumento. Tinha cadeiras, mas na frente estavam lotadas. Desencanei e sentei-me no chão mesmo, bem de frente com o artista e seu comparsa: o Nelson Jacobina, guitarrista não menos fodão. Ver de longe não ia rolar.

O tropicalista:

Jorge Mautner, 66, é de tudo um pouco na área das artes: escritor, músico, compositor, cineasta, e, sobretudo, um contador de estórias e causos. Até por isso, pela época em que viveu e as coisas que construiu, carrega em sua biografia situações interessantíssimas. Uma delas, já faz tempo. Passou-se no colégio Dante Alighieri em São Paulo. O pré-adolescente Mautner foi expulso da escola. Foi considerado um “pervertido”, quando escreveu um texto classificado pelos professores como “tarado”. Mas o mundo dá voltas e hoje no colégio há uma homenagem ao artista: uma sala toda dedicada a ele. E nessas voltas que o mundo dá, Jorge foi parar no EUA, como exilado político, em 1966, ano em que teve seu nome incluído na Lei de Segurança Nacional (LSN). Nas terras do Tio Sam se virou como pôde, traduzindo livros e dando palestras pra gringo ver. Ganhou notoriedade por lá e nas Américas. Já no ano seguinte parte para a Venezuela a fim de participar de um Seminário Internacional em Caracas.

Na terça deve sair no Binóculo todo o material com a entrevista.

domingo, 23 de setembro de 2007

Transcende

Dessa vez a pergunta não é "quem tem seda", como diria D2 nos tempos de letras boas e inteligentes ao lado de B-Negão, mas sim:

De que planeta que o Lirinha desceu?

Ele não é de Arco-Verde-Pernambuco. É do mundo. Se pá aquela coisa que o Jorge Mautner vive dizendo: que o brasileiro tem a amálgama, a miscigenação do planeta absorvida, tudo junto, feito um mix.

Se vc desconhece o Cordel do Fogo, nem tente ouvir, vá vê-los no palco. Depois vc me conta.

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PS. Ainda tentando entender e digerir o que se passou no palco.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Eu já aderi à campanha, inspirada no filme de G. Rocha (e criada por F. Gabeira), vc também pode copiando e colocando o selo por aí...

Não nos deixai cair no esquecimento
A bola da vez agora é falar do Renan. Outrora era o gás boliviano, o fechamento da TV venezuelana, ou caos aéreo E vem aí o mensalinho (o mensalão mineiro). Que bom. Mas “tudo passa, tudo sempre passará”. Mas, não nos deixai cair no esquecimento e livrai-nos do mal: a corrupção.
Semana que vem tem mais julgamento, dessa vez do Conselho de ética. Mas até lá, temos o que “comemorar”. Vamos celebrar a missa de sétimo dia da morte do Senado que, há uma semana atrás, livrou Renan.

Brasil: um país de grandes líderes
Nos editoriais dos jornais do dia seguinte ao julgamento (12-09), como o Zero Hora ou a Folha, por exemplo, era unânime a opinião de que a política nacional anda podre, de que foi um vexame do Senado, um fato da história política a ser superado.

Na verdade anda putrefada há tempos, desde que aqui instalou-se a “nova” Constituição. Já começou tudo errado. Quem herdou o cargo alto do país foi nada menos que o chefe dos militares no Congresso: José Sarney.
Passamos pela roubalheira do Collor, a política neo-liberal de FHC aplicada de maneira mais que equivocada e finalmente Lula. O governo do PT seria o barco da salvação de como governar sob a ética “mãos limpas” que sempre ilustrou, mas, bem... passou longe de ser.


O julgamento
41 senadores disseram à Folha que votariam pela cassação de Renan. Vários deles não mantiveram a palavra ou, se abstiveram (ao meu ver beneficiando assim Renan) alegando falta de esclarecimento, como fez o Aloísio Mercadante (até tu, Brutus?) .

Lembro que quando era criança meu avô Tuim gostava de me ensinar muitas coisas. Uma delas - repetia sempre - era que “homem tem que ter palavra”. Entretanto, alguns senadores não foram homens o suficiente para fazê-lo. Como coloquei anteriormente aqui mesmo neste blogue, no Senado impera a lógica do “rabo preso”, do corporativismo, do “amanhã posso ser eu o réu”. A jornalista Izabelle Torres do Correio Braziliense nos auxilia:

Dados do Supremo Tribunal Federal (STF) ajudam a explicar parte do corporativismo. Há, na corte, 17 inquéritos abertos contra 14 dos senadores — incluindo o próprio Renan — acusados de crimes que vão desde sonegação fiscal à corrupção ativa. Alguns desses processos já estão em fase de conclusão e, segundo os relatores, até o final do ano deve haver pelo menos dois julgamentos, ambos com possibilidade de condenação.

O problema maior é a posição do Senado frente a Renan: conivente, medroso. E Renan frente o Congresso: intimidador, abusa do poder.


As duas casas
O jornalista Hélio Schwartsman, dissecou de que maneira nossos parlamentares fazem política (ouça o comentário aqui). Segundo ele há duas Casas congressistas no Brasil. Uma que faz votações abertas e leva em consideração posições sólidas da opinião pública; e a principal: a casa, o congresso fantasma, “que decide de acordo com seus próprios interesses, nem sempre confessários. É nesse congresso fantasma que operam Renan, os mensaleiros, severinos...”.

Por que a corrupção é tão ruim pro país?
Isso é extremamente ruim porque não deixa o país caminhar. As áreas que realmente necessitam de obras, incentivos, investimentos vão ficando para trás. Na frente entram emendas (licitação para a viabilização de construções, investimentos etc) – a moeda de troca do Planalto – que só são aprovadas em troca de “facilitações”. Tipo assim, “eu libero essa emenda pra sua cidade, contanto que você vote a favor da CPMF na semana que vem”. Aí, aquela escolinha que precisa urgente de livros e equipamentos ou o laboratório de Biologia que precisa ser reformado, porque está contaminando o solo, vira segundo, terceiro plano. E assim continuamos nessa lógica política egoísta, interesseira. Oh, e agora, quem poderá me defender?

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* Post dedicado à bela Babi, que me motivou a escrever este texto. Obrigado Babi, de verdade.