"Um corpo sem alma é como um disco de vinil que não toca ..."

"O jornalista fere no peito o escritor. O escritor repele o jornalista, por esmagá-lo, por obrigá-lo a renascer quase sempre de um mesmo patamar. Feliz daquele que, nesse embate, consegue servir, e bem, aos seus dois senhores..."

Política. Música. Música. Vida. Rock. Cinema. Cultura.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Dois espetáculos imperdíveis!

“Eu nunca tinha visto aquilo antes na minha vida, fiquei tremendo, comecei a chorar.” – Leonardo, uns 12 anos, torcedor Corinthiano no Jornal Hoje exibido em 05/05. Sinceramente, nem eu.


E aí, vc vai ver a peça “Sonho de um homem ridículo” de Dostoiévski?
Claro! Vc não?
Então, acabaram os convites...

Quinta-feira à noite, um frio daqueles de Sampa, no Sesc-Bauru, já vendo a peça... E eu nem aí. Nem lá. Nem sei onde. Enfim, primeira vez que me acontece tal coisa. Não aproveitei o “espetáculo”. Deu-me sono, não conseguia concentração no texto. Viajava longe.

Fim da peça e a Sílvia: “Vamos ao Fread Fish ver o jogo com o pessoal da sala?”
Boa! Vamos sim. Vamos lá Fernanda?
E a Fer... “Então, jogos como esse prefiro ver em casa. Odeio pessoas cornetando quando meu time está jogando.” Foi o melhor que ela poderia fazer. Em momentos lamentáveis é melhor não ter ninguém perto.
E eu lhe dei toda razão, mesmo não sabendo do que estava por vir.

No Fread Fish uma multidão reunida. E ainda não é copa do mundo. 75% Corinthianos, o restante, na maioria, torcendo contra. Eu cheguei com discurso humilde:

“Veio aumentar a torcida do River né?”
Não! Hoje, não. Gosto de futebol e de tirar sarro, claro, é saudável. Não vou torcer nem contra, nem a favor. Hoje sou neutro. Esta última frase rendeu-me críticas severas sempre gentis da Vanessão.

Sentamos, eu e Sílvia, o jogo, no intervalo. Tudo calmo. Soube que a cada gol do clube paulista, 3 cervejas viriam pra nossa mesa – cortesia da biba sentada na mesa ao lado. Nem cerveja, nem gol. Gol só do River. Aliás, gols. Foram 3 e o jogo acabou. Acabou não menos pq o Curintha não teria como reagir, isso óbvio que não aconteceria, mas pq a torcida resolveu dar “espetáculo”. E aí todos pausaram para ver: jogares, câmeras e nós, nas cadeiras do bar (que ainda quis cobrar taxa de jogo – pelas tvs distribuídas no recinto - 3 reais!, entretanto, as queridas Vanessão e Evelyn disseram ser tal cobrança ilegal, brigaram e não pagamos.


E olha não poderia ter torcida pior pra acontecer isso. (preconceito o caramba! – onde há fumaça, há fogo. E a gaviões sempre teve fama de violenta. EU VI com meus olhos de repórter vários camisas preto e branca apavorando tricolores na saída do Pacaembu, num jogo em 2002 – detalhe: o Corinthians perdeu de 2 a 1.) E em off me disseram que a torcida é acostumada com derrota, afinal títulos internacionais...

E a Sílvia acrescenta:
“Drauzio Varela, já dizia em Estação Carandiru: a maioria discrepante entre os presos vestia camisetas corinthianas.” E o próprio Drauzio: “Na cadeia, claro, ninguém nunca fez nada.”

Balanço final dos espetáculos da noite:
“Sonho de um Homem Ridículo” de Dostoievski, boa peça, gostei do final, único momento que estava atento.
E grades destruídas, invasão de campo, vergonha, 11 torcedores e 7 PMs feridos, perca da moral, pais correndo com filhos pequenos e a imagem veiculando em tudo quanto é canto do mundo.

Coisa igual, primeira vez em 21 anos. E vai ficar na memória. O povo esquece fácil? Tudo bem eu os faço lembrar. PAZ. Paz no Futebol – era o que estava escrito no Pacaembu.

6 comentários:

Silvia disse...

Gabriel do céu... ficaram estressadíssimos com nossos comentários aleatórios... e vc esqueceu de acrescentar... a cada gol do corinthians, 3 cervejas na nossa mesa. Mas a gente nem tava com vontade de beber...rsrs
Salve Ulisses, o corintiano mais sensato do recinto; e o bêbado gordão seboso da Independente! rsrs ... valeu pelas explicações de uma leiga perdida durante o jogo... "Que campeonato é esse mesmo?"..rsrs.. eu só queria encontrar a galera!

Fer disse...

ah..o texto começou bem...mas...reflita melhor, cara...não foi A TORCIDA...foram apenas alguns...e, ainda acho, aliás, tenho ctz, q não é possível conter violencia com mais violencia ainda...a situação era de caos, a MAIORIA, estava visivelmente desesperada...nossa...q péssimo...mas me chateia muito comentários do tipo "é...não é à toa q a maioria dos presidiários são corinthianos"...triste constatação do preconceito arraigado em nosso ser...

enfim...
melhor falarmos de extra!

heheh
beijinhos

Na Tamaio disse...

Ah, Gabriel... Pô, legal o que você falou sobre a violência, porque é realmente lamentável, e nesse ponto eu assino embaixo... Mas você não foi imparcial ao citar a torcida do Corinthians... Em uma pesquisa uma vez eu vi que a torcida que mais depreda locais públicos quando seu time perde é a Independente, e não a Gaviões. E outra: esse negócio de corintiano detento também me irrita. Nós somos o time com maior número de torcedores nas classes baixas e NAS ALTAS TAMBÉM. Por que nós só temos famas de detentos e não de classe A?

Silvia disse...

Gabriel, não se acanhe...rsrs...o importante é ser polêmico. O Garotinho tb não gosta quando falam mal dele. rsrsrs
Calma, mulherada, é brincadeira!!!

H.R. disse...

Aew Gabriel!!!!
Hahahahaha
loco loco loko
esse post!!!!!!!!!!!!
recupereri minha senha do blog e
jah fui posta umas coisas novas..
entra lah fico a minha kra o texto!
Tem td a ver com esse 14 de maio
Flw, abço

Gabriel Ruiz disse...

Bom, o importante é que o texto "causou".